
Nos anos em que trabalhei com as estudantes e os estudantes (tão raros) do curso de Pedagogia, era discurso meu sinalizar que os pedagogos não deveriam se distanciar muito da universidade. Dizia que tínhamos de ter um pé nas escolas e um pé em contato com as publicações e discussões que somente a universidade tão bem sabia fazer. Depois de afastada quase dois anos desse universo, sinto uma imensa lacuna se abrindo em meu cotidiano profissional. O que eu recomendava é realmente verdadeiro. Não me parece possível ser professora sem estudar sempre. Começo a me sentir estranha e já não compreendo bem o que faço, pois quase não se tem forças para refletir quando se está oito, nove horas nas escolas. A rotina, dizem, faz mal ao casamento. Mas não é somente aos relacionamentos que ela prejudica. A profissão também sente os efeitos da repetição e da falta de renovação. Talvez consiga chegar até o final deste ano letivo sem me envolver com algum estudo sistematizado, porém será muito difícil seguir pensando e sentindo esse esvaziamento intelectual que a prática nos delega depois desse prazo. Meus futuros educandos perderiam a oportunidade de ver minha energia e meu entusiasmo. Ou melhor, talvez eu nem quisesse mais estar com eles sem buscar o alimento para minha alma: a leitura, o conhecimento, a discussão e a reflexão. Escrevo sobre isso nesse momento porque necessito produzir um texto, e um texto não se produz sem estudar alguns outros textos. Boa hora para arregaçar as mangas!

Oi colega,
ResponderExcluirMe deixaste sem os pés...
Após ler suas reflexões acerca da rotina que acaba se transformando o cotidiano do profissional. Preciso tecer alguns comentários. Concordo com vc na questão de não ficarmos tão longe da Universidade, mas ao mesmo tempo, o profissional da educação em nosso país não consegue sobreviver com vinte horas de trabalho semanais e os governantes tbém não vêem isto como prioridade...
O profissional acaba aos poucos abandonando a idéia e a necessidade da busca da formação continuada, ou a grande maioria qdo. é oferecida, não aproveita, pois nem sempre sente este vazio ou necessidade que relatas. Por outro lado, temos muitos que buscam de forma autônoma, diferentes possibilidades de formação e conciliar com seu contexto diário. Até...