terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os motivos que a escrita tem


Não sei bem quando comecei a escrever.
Acho que foi antes dos treze.
Bem na época que inicia a puberdade nos seres humanos.
Não sei de onde vieram as primeiras palavras lançadas no papel.
Apenas aconteceu...
Não era para ser escritora.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O nome dos medos


Madrugada serve para isso...
Descobrir a origem de nossos medos.

Comecei percebendo que todos os medos se originam de dentro de mim.
O contrário do que supunha.

Não tenho medo das coisas que me cercam, quase de nada.
Mas das que estão escondidas dentro do meu pensamento.

Então é fácil nominá-las. Eu as conheço pois todos os dias entro em contato com meus temores.
Nada está fora que não esteja primeiro amedrontando por dentro.

Medo número um: escolher algo e depois concluir que não foi o melhor e ter de conviver com a escolha indefinidamente.
Medo número dois: sentir tédio cotidianamente.
Medo número três: sentir a fraqueza do meu ser diante dos desafios cotidianos.
Medo número quatro: covardia em razão da acomodação.
Medo número cinco: medo de ter de enfrentar dificuldades financeiras.
Medo número seis: medo de ficar depressiva e não conseguir reagir.
Medo número sete: encarar a vida sem cor e se resignar a sua completa falta de sentido.

Os medos vão sendo desenhados em mim à medida que vou racionalizando minhas reações físicas.

O medo não tem a menor graça. Escrever sobre o medo só faz bem a mim.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os medos e minhas avós



Os pensamentos não param de vir...
Alguns são coloridos e leves,
Outros pesados e assustadores.
Alguns fazem rir, outros entristecem o pensador.

Ultimamente os meus pensamentos me têm feito algo a mais: suar.

Durante parte de minha vida, com minhas avós, não fui preparada por elas sobre o descompasso dos hormônios resultarem em suores movidos pelos pensamentos.

Por quê elas não me descreveram esse fenômeno?
Ah, minhas avós não tinham medo. Elas faziam, viviam, sonhavam, dormiam diferente.
Nenhuma delas havia estado por quarenta anos fazendo a mesma coisa.

Elas não tinham colado na carne o cheiro da sala de aula.
Elas não tinham a marca das falas das crianças nas suas memórias.
Elas não estavam preocupadas se o tempo ocioso lhes causaria vazio e tédio.

Minhas avós superaram há muito tempo o chicote do julgamento.
A vida delas foi bonita. À maneira delas.

Uma, parecia-me próxima, carinhosa e frágil, para não dizer, adoecida desde seus dezesseis anos, quando se casou.
A outra, um farol de luz e força. Decidida e pouco afeita a queixas. Ainda que seus dedos tortos de artrose a tivessem denunciado.

Invejo minhas avós porque elas já conseguiram morrer. E morrer deve ser terrível. Morrer deve ser a personificação do medo. Não haverá medo maior do que aquele que anunciará a nossa morte. E elas, ah, elas, tão corajosas, já não terão mais de ter calores e suores de vida.

Eu devo muito as minhas avós. De alguma forma não responsabilizamos as avós por nossas mães terem sido o que foram. Nossas mães sempre serão as piores criaturas que alguém pode ter conhecido porque nunca poderemos entender as verdadeiras razões porque fizeram isto ou aquilo. As mães vão sempre carregar parte de nossos erros e sentiremos eterno prazer em dizer que por causa delas não fizemos grande coisa com nossa vida.

As mães, diferentes das avós, são voz corrente nos consultórios de terapia e levarão os créditos de quase toda nossa frustração. Não podemos viver sem nossas mães. Temos de responsabilizá-las porque a vida dá muito medo. Sem elas e suas próprias histórias e razões, nossas vidas teriam que assumir os riscos, os piores riscos que metem medo.

Nossas avós recebem um sorriso de leveza. Com elas conseguimos ser melhores do que realmente somos. Elas conseguem nos idealizar. Elas conseguem deixar que sejamos pouco e muito.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

Saudade

Eu acho um absurdo ficar feliz e infeliz por qualquer motivo.
Geralmente não confesso esse pensamento.
Tenho medo de parecer tão mais louca que de costume.
De repente um grande vazio se instala.
Uma dor de viver qualquer coisa
Sentir qualquer coisa
Nada me obriga a achar a vida válida
A vida devia passar às vezes sem alardes
Mas eu penso nessa respiração que me mantém atenta
Aos que se foram e que eu queria ressuscitar e não posso mais

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Vida restrita

A respiração acontece.
O pensamento vem e vai.
A fome comparece.
Outras necessidades se mostram.
Será a vida?

Ora sorrir e depois segurar as lágrimas.
Abrir e fechar os olhos.
Ver nascer e morrer pessoas.
Silêncios e falas eloquentes.
Será a vida?

Sentir alegria e chorar depois.
Dormir pelo cansaço e acordar feliz.
Regar as plantas e podar as folhas amareladas.
Cozinhar o alimento e degustar se puder.
Será a vida?

Sair de casa e voltar bem depressa ou demorar-se.
Dançar sempre em pensamento e com o corpo.
Cumprir o compromisso do trabalho e dar-se um tempo.
Enganar-se de vez em quando e acertar também.
Será a vida?

Observar o anoitecer e brincar de ficar na cama de manhã
Olhar perdidamente para o espaço e depois sem dispersar.
Deixar o domingo acabar como ele quer
Chamar o sol para aquecer e a chuva quando o chão secar.
Será a vida?

Aceitar o caminhar dos passos perdidos e vê-los voltar
Ficar um tempo e ir embora de vez
Buscar a serenidade e pedir ajuda.
Deixar o vento levar o mundo para onde ele quiser.
Será a vida?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cheio de nada



Hoje não sei o que tenho.
Tenho algo?
Melhor seria dizer que nada me pertence.
Nem por ilusão, nem por direito.
A pergunta deveria ser... hoje sei o que não tenho?
Paz? Sim, mais do que a necessária.
Comodidade? Sim, e é ela que me retém aqui.
Paciência? Uma longa e terrível capacidade de não me indispor.
Medo? Sobretudo.
Sensação de perda? É desta sensação que me alimento hoje.
Então tenho. Tenho tanta coisa pelo que parar. Pelo que pensar.
Mas hoje não tenho a coisa mais importante: inspiração e palavras.
Não sei o que dizer. Nada tenho a dizer. Como dizer então?
Quais palavras virão à minha boca e dispararão por intermédio de meus dedos ao teclado?
Como vou falar desse nada que me habita nesta sexta-feira à noite?
Os outros têm palavras? Pensam nelas? Precisam delas?
As palavras me abandonaram e não querem vir.
As explicações não serão dadas. Tudo ficará suspenso.
Um sabor de nada na boca. Uma falta de coragem de chorar por esse nada.
Nenhuma lágrima. Nenhuma queixa concreta. Só essa ideia de vazio e nada.
Amanhã não existe. Ontem, esqueci. Hoje esse gosto de ar insípido na boca vazia.
Todos vão me esquecer. E eu farei o mesmo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O que é bom para você?


Tenho aprendido com o passar dos anos que a única marca que eu posso fazer de mim nesse chão que piso é minha escrita furtiva e apaziguadora.
Nem sempre atendo logo ao chamado. Passam-se horas e dias às vezes. Até que chega o momento de perguntar o que é bom para mim, como uma pergunta que devo responder, pois ela me interpelou na madrugada e todas as respostas se desenharam previamente.
Café da manhã:
Bom é tomar café, num domingo de inverno, com as crianças, que dão aquela alegria e você pode esquecer que um dia vai morrer e deixar tudo isso para trás. Saber que elas estão pequenas e você provavelmente tem o compromisso de cuidar delas, assim sua sábia natureza vai conservá-lo por mais tempo entre elas.
Filme:
Bom é assistir a um filme na adolescência, um título inesperado, numa tarde das férias, lembrando que elas vão terminar e que, por isso, deve-se valorizar essa boa ociosidade.
Casamento:
Bom é casar com o homem por quem estou apaixonada, que ofusca toda a presença das outras pessoas. Aquele, que ao segurar a mão, faz você chorar de alegria sempre que pensar nisso.
Dançar:
Bom é dançar com o amado cavalheiro, que leva seu corpo no flutuar da música, que deixa um espaço para o devaneio da mulher. A música penetrando seu íntimo, a leveza dos corpos que dançam na suavidade da melodia.
Pescar:
Bom é pescar no rio ou no lago, de águas claras e calmas, como se o dia nunca fosse terminar, e, depois, pudesse pensar com saudades dessa vivência. A árvore frondosa, o gramado bem verde, o ar da montanha, a brisa fresca, a sensação de paz total.
Livro:
Bom é ter nas mãos o livro que desperta escrever tanto quanto conhecer as ideias de seu autor. Aquele que revoluciona as sensações, que confirma as suspeitas tanto tempo ali, no seu peito ferido, e que agora saem flutuando e vão para o papel.
Ano Novo:
Bom é aquele ano novo que ainda está por acontecer. Que vai surpreender seu coração incrédulo.

*Este bem poderia ser um lugar de pescar. Obrigada quem se sensibiliza comigo e entende que pescar requer saber parar seu próprio tempo.